1º Concerto – Música Eletroacústica

A terceira edição do Festival Internacional Compositores de Hoje iniciou na noite dessa quarta-feira, no CCJF (Centro Cultural Justiça Federal) no centro do Rio de Janeiro. Ao contrário de muitos outros eventos culturais no Brasil, esse festival é o resultado da iniciativa privada, totalmente criado e idealizado pelo compositor Sergio Roberto de Oliveira, o mesmo, aliás, por trás da força que impulsiona o coletivo de compositores Prelúdio 21.

Diferente de muitos outros eventos, o festival tem um foco internacional explícito. Neste ano o festival conta com compositores e grupos representando Inglaterra, França, Coreia do Sul, entre outros países, incluindo Brasil. A abertura do evento apresentou trabalhos eletroacústicos organizados pelo compositor local Marcelo Carneiro, da UNIRIO.

Marcelo selecionou seis peças inter-relacionadas mas contrastantes. A maioria dos trabalhos apresentou idioma distante da música tradicional criando, em vez disso, paisagens sonoras evocativas e imaginativas. Como peças de arte contemporânea, os títulos nos dão uma ideia de como direcionar nossa visão para o que o compositor está tentando propor. O primeiro trabalho, Counterattack, de Adrian Moore (UK), apresenta sons que invocam imagens de guerra, moderna ou futura, de mecanismos, de vozes fantasmáticas . O trabalho seguinte foi Corvos Hamarikyu de Paulo Dantas (BR), retratando corvos (Nos jardins de Hamarikyu em Tóquio?). Incutindo uma impressão forte em todos que eu conversei, Ashram, de Ricardo dal Farra (AR), está longe da tranquilidade, na verdade uma cacofonia dos infernos, monstruosamente feia (e falo isso no melhor dos sentidos!), tendo em primeiro plano os sons insanos de um instrumento que lembrava um saxofone, acompanhado por drones eletrônicos. Flows in The Megamachine (o corpo vomita a vertigem), de José Ricardo Neto apresentou chiados Lanskyanos de sons de tráfego (parte da graça é tentar identificar as infuências e os programas utilizados para processar os sons). Summer Anthem, de Robert Bentall (UK) começa com uma tríade consonante de verdade  (!!!) de um instrumento como um bandolim, combinado então em quatro faixas, que gradualmente se transformam de estruturas “musicais” para estruturas eletroacústicas. O clímax foi Dyslexicentropiconfusedaandloud, de Caeso (BR), uma peça para violão e live-electronics, com o instrumentista e compositor criando um crescente de nuvens complexas de som do seu instrumento, os quais eram apenas uma parte coadjuvante do efeito total.

Todas as peças estavam na gama dos dez minutos de duração, todas extremamente competentes, bem construídas, muito interessantes, uma experiência intrigante, com excelência e clareza de som proporcionados pela equipe de produção. Um verdadeiro regalo. Parabéns a todos os envolvidos.

Tom Moore