4º Concerto – Voix de Stras’ (GRUPO VOCAL – FRANÇA)

Quem é ou já foi um cantor sabe que um concerto de vozes desacompanhadas é sempre difícil, não importa qual seja o repertório. E ainda assim, o Voix de Stras’, um grupo feminino de vozes solistas de Strasburgo, atraiu uma grande e entusiasmada plateia para o penúltimo concerto do Compositores de Hoje na noite de sábado. O grupo é formado por seis cantoras (Ariane Wohlhuter, Claire Trouilloud, Magda Lukovic, Rebecca Lohnes, sopranos, Gayanee Movsisyan, Angela Loesch, mezzos), dirigidas por  Catherine Bolzinger. Elas ofereceram à plateia uma seleção internacional de obras, diversas mas com similaridades notáveis.  Alma, de Sergio Roberto de Oliveira, utiliza um poema de Mario Quintana, Operação Alma, num idioma em que se ouve claramente uma influência de Ligeti, começando com um uníssono que então se desenvolve em dissonâncias na vogal “A”, até que finalmente uma soprano declamadora  surgiu dos bastidores para recitar o poema em francês… então o quarteto, que anteriormente não havia cantado a letra, começa a cantar o poema original em português. A  interpretação foi, como muitas outras que se seguiram, requintada.

A maior parte das obras no programa tinha um grande nível de dissonâncias (tríades consonantes foram escassas), e as cantoras utilizaram diapasões para se manterem precisamente nas notas. Tal perfeição num programa longo é raro. Muitas obras eram de compositores jovens e ainda não muito conhecidos, que compuseram especificamente para o grupo – Lionel Ginoux (estreia mundial), Clara Olivares, Nikolet Burzinska. O compositor Ivan Solano (que também participou como clarinetista obligato na obra de  Olivares) apresentou uma obra sobre um grupo de poemas em quatro línguas, incluindo o conhecido “How do I love thee?”, todos escritos por poetisas. Concluindo o programa, tivemos uma obra mais leve com uma letra divertida e um groove forte, Three Heavens and Hells, da compositora americana Meredith Monk, cantada lindamente e de forma eficaz, deixando a plateia exultante e dando ao grupo uma longa e ruidosa ovação. Les Voix voltaram para cantar um bis de Ligeti, Canon. Um concerto memorável!

Tom Moore