5º CONCERTO – FÁBIO ADOUR (VIOLÃO – BRASIL)

A terceira edição de Compositores de Hoje chegou a um final vibrante na noite de domingo, num concerto com obras para violão solo de compositores contemporâneos do Brasil, oferecido pelo violonista Fábio Adour. Já havia ouvido falar que Adour era um artista de nível internacional, com um talento que merece uma carreira mundial e os rumores estavam certos. Começando o programa com um estrondo, Adour apresentou a peça mais antiga da noite, o Percussive Study II (1994) de Arthur Kampela, que explora técnicas estendidas, incluindo o uso de colher e caneta (pense numa guitarra com slide). Foi verdadeiramente uma exibição de virtuosismo no violão, lembrando as pirotecnias de Jimi Hendrix.

O restante do programa não foi tão ousado. A próxima obra foi  Paraphrase II (2010), de Ricardo Tachuchian, uma das cinco obras do compositor dedicadas a violonistas brasileiros, utilizando materiais de seu concerto para violão, e, neste caso, baseado em motivos de tríades descendentes. A Fantasia (2015) de José Orlando Alves reflete a fascinação do compositor com o intervalo de trítono e utiliza scordatura, com as cordas mais graves afinadas (penso eu) num trítono D-G#, possibilitando uma variedade de acordes dissonantes e diferentes. Em seguida ouvimos a obra mais longa do programa, em três movimentos, Brechtianas (2010), de Rodrigo Marconi. Todos foram trabalhos consistentes e interessantes, em idiomas abstratos. Refletindo um pouco mais os estilos da Música Popular Brasileira foi Angra dos Reis, de Marcos Lucas, que retrata uma noite num resort de praia com vários estilos de música (rock, jazz, pop) colidindo e combinando, mas com um ritmo em cinco os ligando.
Após um breve intervalo, Adour ofereceu a estreia mundial de Garatuja, de Mario Ferraro,em três movimentos, baseados em ideias de movimento e gesto de Laban, num idioma bastante moderno. Igualmente desafiador foi Pentalogia (2000) de Alexandre Eisenberg, em cinco movimentos contrastantes, com o movimento central, denominado Âmago, bastante lento e explorando harmônicos e o  Finale começando lento e terminando numa sucessão de acordes altamente rítmica.
Sergio Roberto de Oliveira, o criador e produtor do festival agradeceu à plateia, a maior da semana, e foi grandemente reconhecido por aplausos de pé, prometendo que o festival retornará em novembro de 2016. Eu estarei lá! Esta é uma contribuição fundamental e necessária à vida musical brasileira e internacional, reunindo músicos do mundo inteiro para fazer novos contatos. Bravo!
Tom Moore